Imigração

A Comunidade Judaica de São Paulo é a segunda maior da América Latina e teve como marco fundamental o crescimento da imigração a partir do final do século XIX e início do século XX. Boa parte desses judeus recém-chegados à capital Paulista eram ashkenazis e se instalaram no Bairro Bom Retiro. O rápido crescimento demográfico suscitou a criação de centros comunitários possibilitando uma vida judaica mais completa e favorecendo a construção de sinagogas. Boa parte destas, nas primeiras etapas da imigração contemporânea, a partir do século XIX, eram casas ou salões alugados ou improvisados, uma vez que a falta de recursos impedia a aquisição de edifícios. Com a melhora e ascensão econômica da comunidade que se destacou na área do comércio no Bom Retiro, é que se passou a construir templos próprios, com a contribuição e o esforço coletivo dos membros que a compunha.

Bom Retiro

É neste contexto que se dá a inauguração, em 2 de Novembro de 1916 no Bom Retiro, numa pequena sede onde as famílias e outros membros da coletividade podiam frequentar e realizar festejos da comunidade com a denominação de Synagoga Centro Israelita , depois renomeada de Sinagoga Knesset Israel, sendo a segunda casa religiosa judaica fundada na capital paulistana. Apesar da fundação ter ocorrido em 1916, a Sinagoga só ficou pronta em 1918 e contava na época com 300 sócios. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial ela serviu para absorver os imigrantes europeus e, posteriormente, sobreviventes do Holocausto que desembarcaram no Brasil. A necessidade de ampliação levou à demolição do imóvel anterior e à construção de uma estrutura maior. Após uma reforma realizada em 1936, foi reinaugurada com a adição de uma pequena Sinagoga para as orações diárias e ainda um salão para reuniões e festas. Nessa época, a Sinagoga passou a ser conhecida pela Comunidade como “Groisse Shil”.

    Por mais de 30 anos (de 1960 a 1994) não teve um rabino fixo e contava com um grupo de pessoas que se encarregavam de fazer os serviços religiosos e de lutar pela sobrevivência da Entidade. Desde 1994 até o momento, o Rabino Yossef Motl Malowany (formado na Yeshivá Chabad Lubavitch de Tsfat) foi convidado a ocupar o cargo de líder espiritual.

Higienópolis-Angelica

A partir da década de 1970, com a mudança de condição econômica a Comunidade Judaica foi se deslocando. Em 1996, visando atender e reaproximar as famílias de seus antigos frequentadores, a Diretoria pesquisou o destino destes membros e constatou que a maioria tinha migrado do Bom Retiro para Higienópolis; portanto, foi inaugurada uma subsede na Avenida Angélica. Após 10 anos de árduo trabalho coroado de sucesso, decidiu-se pela venda da antiga sede no Bom Retiro à instituição beneficente Ten Yad e transferida a sede central para a Avenida Angélica visando a construção de uma sede própria neste bairro com um objetivo mas amplo do que somente um local de oração e, para tanto, passou a ser intitulada Centro Cultural Israelita Knesset Israel.

   A Knesset Israel atende a um público formado não apenas por ashquenazis, mas também por judeus de origem sefardita. Ao longo dos anos foram desenvolvidas, atividades entre as quais destacamos aulas de religião, filosofia judaica e outros assuntos culturais analisados da perspectiva do judaísmo para os mais diversos públicos tanto na nossa sede como fora da mesma, cursos de Bar Mitzvá, cursos preparatórios para noivos e noivas, atividades apara a 3ª idade, atividades lúdicas para adultos e crianças, shows beneficentes, assistência espiritual para famílias, visitas aos enfermos, encaminhamento e assessoramento profissional, palestras, kidushim semanais às sextas-feiras e aos Sábados, envio de mensagens semanais de estudo sobre a Parashá, serviços religiosos e rezas diárias, além de eventos comemorativos pertinentes às festas religiosas.

Higienópolis

Higienópolis-Brasílio Machado

Desde sua inauguração as diversas Diretorias que assumiram o compromisso de conduzir a Knesset Israel se mantiveram firmes ao propósito de buscar o aumento do quadro social e o engajamento de novos membros, no sentido de implantar, manter e desenvolver um ativo centro comunitário de acordo com as tradições judaicas. O desenvolvimento das atividades mencionadas trouxe para a Sinagoga além do público esperado, novos associados e frequentadores; acrescentado à vontade e necessidade de uma sede que comporte nossos objetivos e possa receber o nosso público  decidiu-se fazer frente ao desafio de construir um prédio que comporte estes objetivos. Em seu novo projeto, na Rua Dr. Brasílio Machado, a Sinagoga (que chega a atender cerca de 700 pessoas nas Grandes Festas) passará a ser, se D-us permitir, um centro de referência para a Comunidade Judaica ashkenazi de S. Paulo.