Parashá Behar-Bechukotai

Pérolas Behar–Bechukotai

( Levítico 25:1–27:34)

Um disfarce perfeito

Bechukotai, a segunda Parashá lida nesta semana, contém as maldições e as punições a serem infligidas ao Povo judeu se não obedecer a D’us. Até mesmo uma leitura casual sobre tais infortúnios relatados na Torá, causa-nos arrepios. Nossos Sábios, no entanto, ensinam que, em significado profundo, podemos entender que essas maldições são, em realidade, bênçãos. Ensinam, ainda, que não são apenas bênçãos, mas bênçãos tão elevadas que só podem se manifestar em sua forma aparentemente oposta!

Uma ilustração perfeita desse conceito é encontrada no Talmud (Moêd Katan 9:b). O Rabi Shimon Bar Yochai – celebrado nesta semana no dia de Lag Baômer -, certa vez enviou seu filho a dois Sábios para uma bênção. Quando o filho voltou, reclamou que os Sábios o amaldiçoaram. “O que eles disseram?”, perguntou o Rabi Shimon. “Semearás, mas não ceifarás”, respondeu o filho. O pai explicou, pacientemente, que os rabinos haviam predito que ele haveria de ser pai de muitas crianças saudáveis e fortes, e que elas não morreriam durante a vida do pai. Da mesma forma, todos os exemplos que o filho deu sobre o que havia entendido como “maldições” dos rabinos foram, igualmente, interpretados de modo a significar grandes bênçãos.

Entretanto, por que os rabinos disfarçaram suas boas intenções de maneira tão complicada? Os mestres Chassídicos explicam que, às vezes, as bênçãos supremas vestem-se com uma roupa exatamente oposta ao que são, precisamente por serem elevadas demais para entrar neste mundo de qualquer outra forma. Neste caso, se as bênçãos dos rabinos eram tão elevadas que precisavam ser “disfarçadas” de maldições, como o rabino Shimon Bar Yochai reconheceu seu verdadeiro conteúdo?

A verdade é que, neste mundo, tudo o que percebemos como mal é, na realidade, tão bom que não podemos absorvê-lo em sua forma verdadeira; do mesmo modo que uma luz intensa machucaria os nossos olhos se olhássemos diretamente para sua fonte. Esse bem, portanto, assume a forma de sofrimento humano, assim como um brilho muito intenso nos faz desviar o olhar para não sofrer a agressão. Isto, porém, é uma verdade momentânea. Quando Mashiach vier, o bem oculto, escondido em nossas aflições, será revelado pelo que é – bênção absoluta.

Devemos, assim, sempre aceitar o que é decretado do Alto, pois quando Mashiach vier, veremos que o sofrimento do exílio era, na verdade, um bem tão magnânimo que só poderia ser concedido de tal maneira. O Rabi Shimon Bar Yochai possuía uma alma capaz de discernir essa verdade mesmo antes da vinda de Mashiach. Da mesma forma, ao nos conectarmos, intimamente, com a Torá, poderemos sentir um “gosto” da Era Messiânica, permitindo-nos absorver um pouco das verdades internas que logo se tornarão aparentes, rapidamente, em nossos dias.

Shabat Shalom Umevorah!