Parashá Lech Lechá

Nossos Sábios nos dizem que Avraham reconheceu seu Criador aos três anos de idade. Como resultado de sua fé, Avraham foi lançado na “fornalha ardente”. No entanto, a Torá Escrita ignora completamente esses incidentes. Em vez disso, somos apresentados a Avraham na porção da Torá desta semana, Lech Lechá, quando Avraham recebe a ordem de D’us aos 75 anos.

Como em tudo o mais na Torá, a omissão da juventude de Avraham não é à toa. Na verdade, aprendemos com isso que não foi a sua coragem na juventude que o caracterizou com o pai de nossa Nação.

Até aquele ponto, Avraham era como qualquer outro ser humano, distinguindo-se apenas pelo fato de que seu intelecto superior o havia levado a reconhecer o Criador. No entanto, a natureza essencial de sua conexão com D’us ainda era finita, pois estava limitada à capacidade da mente humana.

A conexão do judeu com D’us, entretanto, não é baseada na aceitação racional de Sua existência. Ao contrário, é uma conexão profundamente enraizada em seu ser essencial. O vínculo entre o judeu e D’us é análogo ao de pai e filho.

Um ser humano não teria a capacidade de forjar uma conexão dessa magnitude. Somente D’us, que escolheu o povo judeu, pode criar um fenômeno desta natureza.

Quando D’us ordenou a Avraham que “saísse” de seu país e local de nascimento, Ele estava lhe dizendo para abandonar sua existência anterior e adquirir uma essência nova e superior. Com esta ordem, Avraham foi transformado em um judeu – uma pessoa conectada a D’us simplesmente em virtude de sua constituição essencial.

Em termos práticos, isso significa que não é necessário que um judeu adquira uma compreensão intelectual da Torá para iniciar sua vida judaica. Ele pode imediatamente começar a observar os Mandamentos de D’us, que por sua vez o levarão ao entendimento adequado.