Parashá Vaierá

Pérolas Vaierá     

(18:1- 22:24)

Não é hora de se fazer cálculos

Na porção da Torá intitulada Vaierá, D’us diz a Avraham que destruirá Sodoma e Gomora. Ela nos conta: “… E Avraham ainda estava de pé diante de D’us. Avraham veio à frente e disse: ‘Você destruirá os justos com os perversos?!'”(Gên. 18:23). Se Avraham já estava diante de D’us, o que significa a afirmação seguinte: “Avraham veio à frente de D´us”?

Rashi explica que Avraham não avançou no sentido físico, mas se preparou emocionalmente para defender Sodoma e Gomora da aniquilação. Avraham pretendia, perante de D’us, defender o caso de três maneiras: discutir severamente com Ele, apaziguá-Lo e rezar.

De fato, Avraham colocou-as em prática. Primeiro, falando com severidade: “Você destruirá os justos junto com os perversos?!”. Para o apaziguamento, declara: “Seria um sacrilégio fazer tal coisa, trazer morte aos justos, juntamente com os perversos, de modo que os justos e os perversos se igualem, um sacrilégio de sua parte!” Então, em oração, disse: “Eis que comecei a falar com o meu Senhor, e sou pó e cinza…”.

Sobre Avraham, aprendemos que ele manifestou atributos como a bondade e o amor. Portanto, parece estranho e sem sentido que Avraham tenha argumentado, inicialmente, com palavras severas: “Você aniquilaria os justos junto com os ímpios?!” Por que motivo não teria, ele, começado com as palavras de apaziguamento – ou mesmo com a oração – e, apenas se desta maneira não tivesse sido bem-sucedido, tentasse, finalmente, as palavras as severas? Este comportamento seria mais condizente com a personalidade do Avraham que conhecemos.

Ao falarmos da bondade e do amor de Avraham, referimo-nos ao modo como ele serviu a D’us e à sua própria natureza. No entanto, neste episódio, vidas estavam em risco e o anjo encarregado de destruir Sodoma e Gomora estava a caminho.

As histórias de nossos antepassados são lições para nós, seus filhos. Avraham é o maior exemplo de bondade e, contudo, foi contra sua própria natureza ao falar severamente com D’us, sem cálculos diplomáticos, pois vidas estavam em risco.

A lição, aqui, é: quando o bem-estar do outro está em risco – seja ele espiritual ou físico -, não é hora de se fazer cálculos, mas, sim, hora de ação. Em certas situações, devemos agir com força e severidade, mesmo que isso vá contra a nossa natureza: para salvar uma vida, superamo-nos, vamos além.

Shabat Shalom Umevorach!