Parashá Vaikrá

Pérolas Vaikrá ( Levítico 1:1 – 5:26) Afinal, o que é um Korban? A porção da Torá desta semana, Vaikrá, destaca as korbanót, as oferendas levadas pelo povo judeu ao Santuário quando no deserto e, depois, no Templo em Jerusalém. O assunto é introduzido no seguinte versículo (traduzido literalmente): “Quando um homem oferecer a você um sacrifício a D’us do animal” (Levítico 1:2). Porém, com a sintaxe apropriada, o versículo seria lido: “Quando um homem, dentre vocês, oferecer …”. Mas o versículo foi estruturado desta maneira para ensinar que a oferta é “sua”, individual; que depende de cada pessoa e de mais ninguém. A palavra korban tem sua raiz na palavra karov que significa “perto”. Levar uma oferenda significa aproximar-se de D’us. E a Torá nos ensina que chegar perto de D’us depende de cada indivíduo. Toda pessoa pode se aproximar de D’us. Se é algo realmente desejado, pode-se alcançar os picos mais altos. No texto, também fica implícito que a oferta deve vir “de você”, ou sejado animal dentro da própria pessoa. Pois cada um de nós tem um lado animalesco. Isto não é necessariamente algo ruim, pois nem todos os animais possuem qualidades negativas; pelo contrário, a maioria dos animais são criaturas agradáveis. Mesmo assim, o animal não é considerado um modelo positivo para o nosso Serviço Divino, uma vez que ele age apenas para realizar suas próprias pulsões instintivas.
Pretende nada mais do que satisfazer suas necessidades para sua sobrevivência. Seu egoísmo não reside no desejo de tirar vantagem dos outros: simplesmente não pensa nos outros. Está preocupado com uma coisa: como conseguir o que quer e precisa. Assim, cada um de nós abriga uma dimensão animal em nossas personalidades. Há momentos em que pensamos apenas em nós mesmos e no que queremos. Isso não é necessariamente ruim, mas pode levar a conflitos quando duas ou mais pessoas querem a mesma coisa. Entretanto, uma dimensão única do ser humano é poder pensar, ser racional, e seu intelecto pode controlar seus sentimentos e desejos. Se uma pessoa permite que sua porção irracional controle sua conduta, ela não está fazendo uso de seu potencial humano, e deixará o mundo da mesma maneira que nele adentrou. Cremos que não foi para isto que D’us tenha nos criado; e, sim, para fazermos uma mudança no mundo a partir de mudanças em nós mesmos. Ao invés de agirmos pelo desejo por algo, nossas ações devem ser motivadas pela convicção de estarmos fazendo o correto, conforme a intenção Divina para este mundo. Ao invés de sempre tomar, devemos em olhar para fora, para o outro, e também ofertar. Isto requer mudanças no animal em nós mesmos, aproximando-o de D’us. Esse é o serviço espiritual associado a oferendas e sacrifícios. Shabat Shalom Umevorach!

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