Parashá Chaiê Sará

 Pérolas Chaiê Sará

(23:1-25:18)

As velas do Shabat

Na Parashá de Chaiê Sará, somos apresentados à nossa matriarca Rivká. Segundo Rashi, Rivká tinha apenas três anos e já era bastante madura para a idade. Quando Eliezer dirigiu-se a Itschak acompanhado de Rivká, contou a Itschak os milagrosos eventos que se deram durante a viagem. Então, Itschak a levou para a tenda de sua mãe, Sará. Rashi explica que ela era como Sará. Isso significa que, assim como quando a mãe estava viva, ocorreram três milagres que se davam regularmente, mas que cessaram com a morte de Sará – e os milagres foram retomados quando Rivká entrou na tenda.

Quais foram os milagres? As velas que ela acendia na véspera do Shabat queimavam até a sexta-feira seguinte. E, ainda, havia uma bênção em sua massa: mesmo uma pequena quantidade de seu pão satisfazia a fome. Além disto, uma nuvem pairava sobre sua tenda.

Parece que a lista dos milagres deve ser invertida, pois não é que, quando ela entrou na tenda, Itschak notou, primeiramente, a nuvem pairando acima da tenda? Então, experimentou seu o pão e, finalmente, não levou uma semana inteira para saber que as velas do Shabat que Rivká acendera queimariam de sexta a sexta-feira. Por que Rashi reverte a ordem?

Nossos Sábios ensinam que nossos ancestrais cumpriam todas as mitsvót, embora ainda não tivessem sido ordenados. Em relação às velas do Shabat, caso não haja uma mulher em casa, um homem deve acendê-las. Sendo assim, a partir do momento em que Sará faleceu, Avraham acendia as velas. Então, por que Rivká, que ainda não era casada, e tampouco tinha o Bat  Mitsvá, acendeu as velas na tenda de Sará?

Há uma singularidade nas velas do Shabat acesas por mulheres, mesmo por mulheres solteiras e até por meninas pré – Bat Mitsvá. As velas de Shabat trazem luz e bênção para a casa a semana toda. Mesmo que não se consiga vê-las acesas, há uma luz espiritual que brilha durante toda a semana em virtude de mulheres e meninas que acendem as velas.

A luz espiritual das velas acesas por uma mulher é mais poderosa que a do homem. Um homem pode construir uma casa, mas é preciso uma mulher para transformá-la em um lar. Agora podemos entender a ordem dos milagres. O primeiro milagre está associado à mitsvá realizada, aos três anos, por uma menina ao acender as velas de Shabat. Isto leva à próxima bênção, em ordem cronológica: quando ela amadurece, o empenho de suas mãos é abençoado, bem como a massa que produziu foi abençoada. E estas primeiras bênçãos conduzem à terceira, que ocorre com o matrimonio, quando faz seu próprio lar, emanando a própria Presença Divina por meio do cumprimento das leis de pureza familiar.

Este grande poder de mulheres judias é um presente e uma herança de suas ancestrais, Sará e Rivká. Que a luz das velas do Shabat encha nossos lares e o mundo com a Presença de D’us.

Shabat Shalom Umevorach!