Parashat Chukat    

(Números 19:1 a 22:1)

 

Bondade egoísta, tem valor?  

 

No final desta Parashá, lemos que o povo judeu estava prestes a entrar em batalha contra Og, o rei de Bashan, um poderoso guerreiro que era, literalmente, um gigante. Moshe sentia tanto medo que o Todo-Poderoso teve de acalmá-lo dizendo: “Não o tema” (Núm. 21:34).

 

Por que Og inspirou tal pavor? Certamente, Moshe havia encarado ameaças mais formidáveis em sua carreira. Segundo Rashi, a história remonta há muitos anos. Og (ou, de acordo com alguns comentários, o ancestral deste rei) haveria escapado de batalha ocorrida anteriormente durante os dias de Avraham. Este veio, então, a Avraham, e informou-o da captura do seu sobrinho Lot. Avraham lutou contra os reis que haviam capturado Lot, resgatando-o com sucesso. Diz Rashi: “Moshe estava com medo de lutar com Og devido ao mérito que o gigante adquiriu ao ajudar Avraham.” Ou seja, o fato de que Og havia feito uma gentileza a Avraham, tantos anos antes, poderia ter um significado tão especial que Og seria, espiritualmente, protegido de danos como benefício adquirido por sua boa ação para com Avraham.

 

Será que esta ação foi, realmente, tão boa? O mesmo Rashi (em seu comentário sobre Gênesis 14:13) nos informa que a motivação de Og não foi altruísta. Ao dizer a Avraham que seu sobrinho Lot havia sido capturado, Og estava, secretamente, torcendo para que Avraham morresse na batalha e, assim, pudesse-lhe tomar a linda esposa, Sara, para si mesmo. Por que Moshe se preocuparia com o mérito espiritual de uma conduta contaminada por tais motivações?

 

A resposta é que, embora os motivos de Og estivessem distantes de serem altruístas, o fato é que ele havia feito uma gentileza a Avraham. Avraham ficou grato pela informação e foi, finalmente, bem-sucedido. Portanto, embora as razões de Og não fossem nobres, o resultado de sua ação foi bom e considerado por Avraham um favor. E é por isso que o Todo-Poderoso precisou tranqüilizar Moshe.

 

A lição desta passagem é incrível: realizar um único ato de compaixão, mesmo que nem sempre de forma totalmente altruista, tem a capacidade de nos proteger e atrair muitas bençãos. 

 

Inspiremo-nos nesta história para sermos mais prestativos com aqueles que nos rodeiam. Que nossa benevolência nos proteja e proteja nossas famílias de qualquer dano.

 

 

Shabat Shalom Umevorach!