Pérolas Shabat, Chol Hoed e Simchat Torá

Pérolas Shabat,  Chol Hamoed e Simchat Torá

Uma vez perguntaram ao Maguid de Dubna: por que precisamos de duas festividades para celebrar o mesmo evento? Tanto em Simchat Torá quanto em Shavuot celebramos a nossa Torá. Por que não juntá-las em uma grande festa?

O Maguid respondeu com a seguinte parábola: Era uma vez um rei e uma rainha que, por muitos anos, não tiveram filhos. Em desespero, visitaram um velho sábio. O velho lhes deu uma bênção poderosa; porém, com uma condição: se a criança fosse menina, nenhum homem poderia vê-la até o dia do casamento… caso contrário, ela morreria! Quando a rainha deu à luz uma menina, uma ilha isolada foi preparada para que a princesa lá vivesse; e onde seria criada no melhor estilo real, mas apenas com educadoras e servas.

Depois de muitos anos, a menina cresceu e se tornou uma bela jovem, pronta para se casar. O rei se aproximou de um nobre a quem respeitava e sugeriu-lhe que se casasse com sua filha. “Certamente!” foi a resposta entusiasmada: “Quando poderei conhecê-la?” O rei, então, explicou-lhe que sua filha não poderia ser vista antes do casamento. Surpreso com a resposta, o nobre recusou a proposta, pois, talvez, a princesa fosse desagradável ou não tão bela.

Vez após vez, o rei se deparou com a mesma reação frustrante. “Deixe-me vê-la primeiro!”, exigiam os pretendentes. “Caso contrário, como saberei em que estou me metendo?” Ninguém confiava na palavra do rei de que sua filha era linda e bondosa. Finalmente, um jovem corajoso disse ao rei que estava muito honrado pela oferta.

A data do casamento foi marcada e todos os súditos foram convidados para a celebração. Todos dançavam e se alegravam… exceto o noivo, tomado pela ansiedade. Ele havia escondido os medos gerados pelo fato de não ter conhecido, anteriormente, sua noiva. Durante o casamento, estava tenso; e, mesmo após o casamento, o noivo permaneceu apreensivo. Ele temia que, embora a princesa fosse bonita, talvez algum desvio de caráter fosse percebido posteriormente. Os medos do noivo, no entanto, mostraram-se infundados. A princesa era uma verdadeira joia. Mês a mês, o príncipe apreciava, cada vez mais, a beleza, o charme e a sabedoria de sua esposa. A cada dia, uma faceta maravilhosa era revelada.

Passados alguns meses, o príncipe sentiu-se decepcionado por não ter conseguido expressar, adequadamente, alegria e felicidade em seu próprio casamento. Aproximou-se do rei e admitiu que, durante o casamento, estava cheio de dúvidas e não conseguiu alegrar-se o suficiente. O rei sugeriu que a única solução seria marcar uma segunda festa na qual todos os súditos seriam, novamente, convidados. No entanto, desta vez, apenas uma pessoa – o príncipe recém-casado – dançaria, exibindo sua alegria à esposa, à família e aos amigos.

O Maguid de Dubno explicou que, quando a Torá fora oferecida ao mundo, as nações a questionaram. O povo judeu, no entanto, comprometeu-se a mantê-la, mesmo antes de compreender o que ela continha. “Naassê veNishmá!”: “Faremos e depois ouviremos.”

Em Shavuot, celebramos esta aceitação inquestionável da Torá. No entanto, a promessa de total confiança era, ainda, incompleta. Por vezes, a mente pode pressentir e indicar um caminho que o coração não esteja pronto para aceitar. Somente depois da convivência com a Torá, somente depois de completar um ciclo anual de estudo da Torá, e experimentar ensinamentos como: “Seus caminhos são agradáveis e todos os seus caminhos são de paz” (Provérbios 3:17), somente então, em Simchat Torá, o povo judeu revelou-se pronto para expressar sua verdadeira alegria decorrente do precioso presente de Deus.

Shabat Shalom Umevorach,  Moadim Lessimcha e Chag Sameach!