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Shoftim

O final da porção da Torá desta semana, Shoftim, trata do Eglá Arufá, o bezerro decapitado que expiava um assassinato cujo autor fosse desconhecido. Se um corpo fosse encontrado na estrada e não se soubesse quem matou a vítima, a Torá ordena aos anciãos da cidade mais próxima que levassem um novilho de um ano até o rio e proclamassem: “Nossas mãos não derramaram este sangue, e nossos olhos não viram. ” Isso servia para expiar a o crime e também divulgar a morte, para que o verdadeiro assassino pudesse ser encontrado.

Parece estranho que qualquer culpa fosse atribuída aos anciãos de uma cidade, afinal, quais papeis poderiam ter desempenhado, os líderes da cidade, em em um crime de assassinato? Por que a Torá envolve o tribunal rabínico de uma cidade quando, obviamente, o verdadeiro assassino seria aquele a ser punido?

A mitsvá da Eglá Arufá destina-se a enfatizar a máxima: “todos os judeus são fiadores uns dos outros”. Assim, a responsabilidade por um crime recai não apenas sobre o assassino, mas também sobre os habitantes da cidade mais próxima e, mais especificamente, sobre os líderes da comunidade, os anciãos que serviam na corte suprema.

A culpa de tais líderes deveria ser proclamada publicamente, pois seria de sua responsabilidade a garantia do alto nível moral de seu povo. Se eles tivessem semeado os valores judaicos de maneira adequada, tal situação jamais teria acontecido. O fato de um assassinato ter se dado em seus domínios aponta que algo estava realmente errado em sua liderança.

Ser responsável por nossos companheiros é uma lição que deve ser observada por todo judeu, especialmente durante o mês de Elul, quando os pensamentos de todo o Povo judeu se voltam para o arrependimento antes do Ano Novo. Durante este mês propício ao arrependimento, quando D’us “sai a campo” para que nosso retorno a Ele seja muito mais fácil, vamos verdadeiramente exemplificar o amor de nossos companheiros para que possamos, todos, entrar no Palácio Divino no Dia de Julgamento.

Shabat Shalom e Shaná Tová!