Parashá Emor

B´´H

A porção da Torá desta semana, Emor, contém a ordem: “Seis dias o trabalho será feito; mas o sétimo dia é um Sábado de descanso […] você não fará nenhum tipo de trabalho”. (Shemot, 23:3)

Em muitos países, o domingo foi designado como o seu dia de descanso. Assim, conforme o calendário judaico, a semana, em tais países, começa com um dia de descanso. Para os judeus, no entanto, o domingo é um dia de trabalho; e o Sábado, o Shabat, este sim, o dia de descanso.

A semana realmente começa com o trabalho. Somente após seis dias de trabalho, o sétimo dia, o Sábado, será de descanso. A antecedência do trabalho em relação ao descanso indica que nosso propósito não é passar o tempo ociosamente mas, antes, trabalhar para o aperfeiçoamento de nós mesmos e de nossa comunidade, tanto no aspecto material quanto no espiritual.

Pode parecer estranho que o entendimento de ” o trabalho seja feito” sugira um modo passivo. Na verdade, indica que o judaísmo defende uma atitude “passiva” ou ligeiramente indiferente em relação ao trabalho, pois todo o interesse e entusiasmo de uma pessoa não deve estar centrado apenas nas atividades de negócios.

Nos dias de hoje, muitos de nós ficamos tão submersos em nossa vida profissional que não temos tempo para nada nem para ninguém, muito menos para nós mesmos. Estamos “trabalhando” não apenas no trabalho, mas também em casa, no lazer. Nós dormimos e até oramos pensando nos negócios.

Para combater esta preocupação constante, recebemos a Ordem Divina: “Seis dias o trabalho será feito”. É um mandamento positivo que afirma a natureza essencial do trabalho, mas transmite uma mensagem importante: não devemos nos ocupar totalmente com o trabalho. É importante mantermo-nos um pouco afastados para que, nas horas de lazer, possamos dar atenção às necessidades pessoais e familiares, tanto materiais como espirituais.